segunda-feira, dezembro 15

A Subjectividade dos Comportamentos

Podemos ter para com as coisas que nos acontecem ou que fazemos uma atitude mais geral ou mais pessoal. Podemos sentir uma pancada não apenas como dor, mas também como ofensa, e neste caso ela torna-se cada vez mais insuportável; mas também aceitá-la desportivamente, como um obstáculo que não nos intimidará nem nos arrastará para uma ira cega, e então não é raro nem sequer darmos por ela. Neste segundo caso, porém, o que aconteceu foi apenas que integrámos essa pancada num contexto mais geral, o do combate, e em função disso a natureza do golpe revelou-se dependente da tarefa que tem de desempenhar. E precisamente este fenómeno, que leva a que um acontecimento receba o seu significado, e mesmo o seu conteúdo, mediante a sua inserção numa cadeia de acções consequentes, produz-se em todos os indivíduos que não o encaram apenas como acontecimento pessoal, mas como desafio à sua capacidade intelectual.
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Também ele será mais superficialmente afectado nas suas emoções pelo que faz. Mas, estranhamente, aquilo que se vê como sinal de inteligência superior num pugilista é visto como frieza e insensibilidade em pessoas que não sabem de boxe e nas quais isso se deve à sua inclinação para uma determinada forma de vida intelectual. Estabelecem-se ainda muitas outras distinções para, de acordo com a situação, aplicar ou exigir uma conduta geral ou pessoal. No caso de um assassino que age friamente, fala-se de brutalidade sem limites; no de um professor que, mesmo nos braços da mulher, continua a resolver um problema, diz-se que é pedantismo seco; no de um político que sobe à custa de vidas destruídas, e dependendo do seu grau de êxito, será vileza ou grandeza; já dos soldados, dos carrascos e dos cirurgiões se exige uma impassibilidade que se condena noutros. Sem que haja necessidade de aprofundar a moral subjacente a estes exemplos, salta à vista a insegurança com que, de cada vez, se chega a um compromisso entre comportamentos objectiva ou pessoalmente correctos.
Robert Musil, in 'O Homem sem Qualidades'

sexta-feira, dezembro 12

Sinto...
...falta dos meus lençóis! Soneira e cansaço extremos, como se o corpo viesse a perder forças a cada dia e as pestanas se colassem cada vez mais.
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Tenho...
...vontade de parar! Dormir e relaxar sem fazer nada, quando no entanto não sei estar descansada sem nada para fazer.
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Trabalho...
...12 horas por dia! Com gosto e empenho, não por obrigação ou necessidade pessoal, mas porque me preenche fazer algo por mim e ajudar os outros.
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Receio...
...quebrar! Perder saúde e vivências pessoais que deveriam fortalecer para continuar.
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Quero...
...férias! Um dia num spa ou só uma massagem até; seja tempo para mim.

sexta-feira, novembro 21

A vida como um labirinto

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"Acreditamos saber que existe uma saída, mas não sabemos onde está. Não havendo ninguém do lado de fora que nos possa indicá-la, devemos procurá-la por nós mesmos. O que o labirinto ensina não é onde está a saída, mas quais são os caminhos que não levam a lugar algum."

[Norberto Bobbio]

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"De tudo ficam três coisas:

A certeza de que estamos sempre começando...

A certeza de que precisamos continuar...

E a certeza de que seremos interrompidos antes de terminar.

Portanto, devemos:

Fazer da interrupção um caminho novo...

Da queda, um passo de dança....

Do medo, uma escada...

Do sonho, uma ponte...

E da procura... Um encontro!"

[FERNANDO PESSOA]

terça-feira, novembro 11

Sou ... [mais um ser em busca da felicidade]

Apetecia-me escrever, não sabia ao certo sobre o quê, mas senti essa vontade.
Publico notas soltas neste blog, enquanto liberto os pensamentos num diário portátil.
Porque de vez em quando sinto necessidade de ser eu mesma... Fazer o que gosto, acalmar e escrever... Devaneios ou palavras sentidas, pensamentos que o cérebro faz questão de processar e que preciso de organizar. Porque faz falta ter tempo para mim mesma - reflectir sobre o dia a dia para não cair no erro de uma mera existência quando o essencial é VIVER.

sexta-feira, novembro 7

Empty(ness)

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Sometimes i feel broke inside
(and it's painfull)
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Sometimes i wanna call you
(but i know you won't answer)
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I'm sorry for blaming you for everything
(everything i just couldn't do)
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I want you (all) to help me understand
(why it's so hard to say goodbye and that's constantly)
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Please, just save me from myself...
(i miss someone who warms me up inside)

terça-feira, novembro 4

Grande alegria

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Nunca pensei sentir-me tão mal com a falta de saúde de uma pessoa amiga... Acho que só mesmo nestas horas é que por vezes se percebe o valor das amizades, o carinho que realmente sentimos pelos outros!? E como tal, nunca imaginei poder sentir-me tão feliz com a notícias de melhoras dessa mesma pessoa :) Que alívio! Que "leveza"! Deus é grande e sempre tive fé de que a vida venceria...
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sexta-feira, outubro 24

Vida singela

Todos nascemos com uma única certeza... todos temos que morrer. É a lei da natureza, se não a única pelo menos a mais incontornável das verdades da vida. Aquela que todos receamos e que, talvez por isso, nos faz viver como se dela não nos lembrassemos. Mas "a hora" existe. Apenas fomos todos criados com a ideia de que essa hora chegaria somente na velhice, depois de uma vasta experiência de vida... E quando acontece algo que consideramos ser "fora da hora" todos nos descontrolamos.
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A verdade é uma - a linha que separa a vida da morte é muito ténue e toca a todos. Não podemos nem devemos esquecê-lo. É para nós uma obrigação, assim sendo, viver de modo a que nos sintamos ricos na família, nas amizades, nas experiências de vida - um dia a dia em que se retire prazer de tudo quanto é possível. Para que se alguma contrariedade acontecer possamos dizer «não me arrependo de nada».
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Nao, ninguém morreu. Graças a deus, para já não! E tenho fé em como isso não vai acontecer. Mas o que aconteceu também veio "fora da hora", considerando o pensamento de que enquanto jovens nada nos afecta. 26 anos volvidos e tanto pela frente. A vida continua, mas as sequelas podem ser uma presença sempre constante e essas sim muitas vezes fazem pensar nas injustiças da vida. E entre amigos (o que sempre digo ser familia) tudo nos afecta quando um de nós é atingido.
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O último acontecimento tem-me feito pensar muito, mais ainda sobre algumas situações já muitas vezes repensadas. Sabendo nós que a vida é tão frágil, como podemos permitir que pormenores tão pequenos, mentiras tão mesquinhas, orgulhos tão casmurros nos afastem daquilo/daqueles que nos fazem sentir bem, sentir completos e felizes?! Porque desperdiçar tempo que é tão valioso? Porque não passar os dias a fazer o que gostamos com aqueles a quem amamos? O amanha pode não existir ou erguer-se muito diferente... e quem perde somos nós.
Recordo o quanto fui feliz em várias datas dos últimos 365dias... e com mágoa lamento as vezes em que não repeti essa felicidade nos últimos 5meses. Não gosto de pensar que amanha o mesmo "azar fora de horas" pode acontecer comigo e nessa hora ter alguém a quem dizer (ou que me diga) «porque fui tão casmurra e não gozei mais tempo contigo?».
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àqueles a quem várias vezes chamei amigos e que, infelizmente, têm estado à distância