quarta-feira, janeiro 7

Saber Contornar As Vicissitudes

Quando estamos febris, tudo quanto provamos nos parece amargo e desagradável, mas, ao vermos outrem saborear as mesmas iguarias sem fazer cara feia, não mais culpamos a comida ou a bebida: culpamo-nos a nós mesmos e ao nosso destempero. De modo similar, desistimos de incriminar as circunstâncias e de com elas nos preocupar quando vemos outrem aceitando as mesmas circunstâncias plácida e alegremente. Quando as coisas não correm na medida dos nossos desejos, muito contribuirá para o nosso contentamento pensarmos nas coisas agradáveis e encantadoras que nos pertencem; na mistura, o melhor eclipsa o pior. Quando os nossos olhos são ofuscados pela claridade excessiva, nós acalmamo-los olhando para a verde relva e para as flores; todavia, mantemos a mente absorta com o que é penoso e forçamo-la a remoer sem trégua os vexames, desviando-a violentamente de pensamentos mais reconfortantes.
Plutarco, in "Do Contentamento"

segunda-feira, dezembro 15

A Subjectividade dos Comportamentos

Podemos ter para com as coisas que nos acontecem ou que fazemos uma atitude mais geral ou mais pessoal. Podemos sentir uma pancada não apenas como dor, mas também como ofensa, e neste caso ela torna-se cada vez mais insuportável; mas também aceitá-la desportivamente, como um obstáculo que não nos intimidará nem nos arrastará para uma ira cega, e então não é raro nem sequer darmos por ela. Neste segundo caso, porém, o que aconteceu foi apenas que integrámos essa pancada num contexto mais geral, o do combate, e em função disso a natureza do golpe revelou-se dependente da tarefa que tem de desempenhar. E precisamente este fenómeno, que leva a que um acontecimento receba o seu significado, e mesmo o seu conteúdo, mediante a sua inserção numa cadeia de acções consequentes, produz-se em todos os indivíduos que não o encaram apenas como acontecimento pessoal, mas como desafio à sua capacidade intelectual.
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Também ele será mais superficialmente afectado nas suas emoções pelo que faz. Mas, estranhamente, aquilo que se vê como sinal de inteligência superior num pugilista é visto como frieza e insensibilidade em pessoas que não sabem de boxe e nas quais isso se deve à sua inclinação para uma determinada forma de vida intelectual. Estabelecem-se ainda muitas outras distinções para, de acordo com a situação, aplicar ou exigir uma conduta geral ou pessoal. No caso de um assassino que age friamente, fala-se de brutalidade sem limites; no de um professor que, mesmo nos braços da mulher, continua a resolver um problema, diz-se que é pedantismo seco; no de um político que sobe à custa de vidas destruídas, e dependendo do seu grau de êxito, será vileza ou grandeza; já dos soldados, dos carrascos e dos cirurgiões se exige uma impassibilidade que se condena noutros. Sem que haja necessidade de aprofundar a moral subjacente a estes exemplos, salta à vista a insegurança com que, de cada vez, se chega a um compromisso entre comportamentos objectiva ou pessoalmente correctos.
Robert Musil, in 'O Homem sem Qualidades'

sexta-feira, dezembro 12

Sinto...
...falta dos meus lençóis! Soneira e cansaço extremos, como se o corpo viesse a perder forças a cada dia e as pestanas se colassem cada vez mais.
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Tenho...
...vontade de parar! Dormir e relaxar sem fazer nada, quando no entanto não sei estar descansada sem nada para fazer.
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Trabalho...
...12 horas por dia! Com gosto e empenho, não por obrigação ou necessidade pessoal, mas porque me preenche fazer algo por mim e ajudar os outros.
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Receio...
...quebrar! Perder saúde e vivências pessoais que deveriam fortalecer para continuar.
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Quero...
...férias! Um dia num spa ou só uma massagem até; seja tempo para mim.

sexta-feira, novembro 21

A vida como um labirinto

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"Acreditamos saber que existe uma saída, mas não sabemos onde está. Não havendo ninguém do lado de fora que nos possa indicá-la, devemos procurá-la por nós mesmos. O que o labirinto ensina não é onde está a saída, mas quais são os caminhos que não levam a lugar algum."

[Norberto Bobbio]

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"De tudo ficam três coisas:

A certeza de que estamos sempre começando...

A certeza de que precisamos continuar...

E a certeza de que seremos interrompidos antes de terminar.

Portanto, devemos:

Fazer da interrupção um caminho novo...

Da queda, um passo de dança....

Do medo, uma escada...

Do sonho, uma ponte...

E da procura... Um encontro!"

[FERNANDO PESSOA]

terça-feira, novembro 11

Sou ... [mais um ser em busca da felicidade]

Apetecia-me escrever, não sabia ao certo sobre o quê, mas senti essa vontade.
Publico notas soltas neste blog, enquanto liberto os pensamentos num diário portátil.
Porque de vez em quando sinto necessidade de ser eu mesma... Fazer o que gosto, acalmar e escrever... Devaneios ou palavras sentidas, pensamentos que o cérebro faz questão de processar e que preciso de organizar. Porque faz falta ter tempo para mim mesma - reflectir sobre o dia a dia para não cair no erro de uma mera existência quando o essencial é VIVER.

sexta-feira, novembro 7

Empty(ness)

...
Sometimes i feel broke inside
(and it's painfull)
...
Sometimes i wanna call you
(but i know you won't answer)
...
I'm sorry for blaming you for everything
(everything i just couldn't do)
...
I want you (all) to help me understand
(why it's so hard to say goodbye and that's constantly)
...
Please, just save me from myself...
(i miss someone who warms me up inside)

terça-feira, novembro 4

Grande alegria

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Nunca pensei sentir-me tão mal com a falta de saúde de uma pessoa amiga... Acho que só mesmo nestas horas é que por vezes se percebe o valor das amizades, o carinho que realmente sentimos pelos outros!? E como tal, nunca imaginei poder sentir-me tão feliz com a notícias de melhoras dessa mesma pessoa :) Que alívio! Que "leveza"! Deus é grande e sempre tive fé de que a vida venceria...
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